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 História dos FARACOS

Abril de 1862: está em Garopaba o Padre Raphael Faraco

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Sacerdote italiano nascido em 30/11/1832, na aldeia de Acqua Fredda, cidade de
Maratea, Província de Basilicata, ex-Reino de Nápoles.

Fora ordenado presbítero em 01/09/1856 pelo bispo diocesano de Cassano, Dom Miguel Bombini.

Desembarcara na Bahia a 01/08/1861.

Dele diz o historiador  Pe. José Artulino Besen:

“Padre Faraco não deveria ser homem de muitas pretensões para aceitar paroquiar São Joaquim de Garopaba, pobre, desprezada, desconfortável...”

A 14/07/1864 é empossado como Pároco Encomendado.

E começa a lutar para conseguir do governo os fundos para construir a igreja.

Das suas muitas cartas, a de 13/09/1864 conclui:

”A igreja é, sem hipérboles, uma choupana”.

Lembre-se que na época vigorava o Padroado: a Igreja era administrada e mantida pelo governo.

Lentamente os recursos chegam. Conseguidos através da liderança política do pastor que também foi deputado estadual por quatro vezes, no período de 1874 a 1900, chegando a exercer a Vice-Presidência da Assembleia.

"Em 14 de julho de 1864, assume a paróquia em completo abandono. A igreja está em ruínas, não tem assoalho nem forro. O Pe. Faraco lança uma campanha junto aos fiéis e consegue dinheiro para o forro, em 1869,  recebe uma boa quantia e dá início às reformas. Os carpinteiros Pedro Inácio da Silva e Luiz Faustino da Silva constroem o Altar-mor e o Trono, concluindo a reforma em 1877,com trabalho de douração. Em 14 de fevereiro de 1884 é comprado no Rio de Janeiro, pesando 127kg, o Sino que foi batizado com o nome de São Francisco.
A influência do Pe. Faraco contribuiu para transformar a Freguesia em Vila (município), em 6 de março de 1890. Em setembro de 1896, é concluída a Capela do Senhor Bom Jesus, na Praça, em frente à Matriz.
Pai atencioso de numerosos filhos, Pe. Faraco vem a falecer em 16 de março de 1917, com 85 anos e sepultado ao lado da igreja que pastoreou desde 1862."

Foi também político elegendo-se deputado provincial diversas vezes, a partir de 1874. Foi também deputado estadual, de 1898 a 1900, tendo exercido a vice-presidência da Assembléia. Sepultado em Garopaba, junto à igreja. Estimado, foi por muito tempo visitado seu túmulo. Deixou pequeno manuscrito informativo sobre a Freguesia. Alguns dos seus descendentes se estabeleceram em Criciúma, também com expressão social. 

Foi uma figura marcante: “alto, enérgico, forte, decidido”.

Pastor dedicado, político vingativo.

Durante a Revolução Federalista de 1893, apoiando o governo de Floriano Peixoto, colaborou com o Governador Moreira César.

Os inimigos políticos o acusam de ter denunciado os nomes dos federalistas, alguns dos quais foram executados brutalmente.

Mas, voltemos a seus primeiros tempos.

Arroubos da idade? Solidão na pequena baía isolada? Freud saberia explicar? Não sabemos.

Sabemos apenas que o jovem padre tornou-se amigo de uma viúva, com cuja filha Arminda (nos seus 14 ou 16 anos) ia apanhar laranjas no pomar.

Um dia a viúva traz-lhe à porta a mocinha grávida.

Ele a acolhe.

Passam a viver juntos.

No casarão de dois andares que mais tarde construiu, abrigou a todos.

Oficialmente, no primeiro andar vivia o padre e, no andar térreo, Arminda  e a numerosa família que resultou desta união, não muito rara na época.

Seus filhos:

1 - Miguel
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2 - Teophilo

3 - Francisco

4 - Paulino

5 - Daniel....

6 - Maria

7 - Rosa

8 - Gabriel

Embora pressionado por seus superiores, não se afastou da mulher.

Deu boa educação a todos os filhos... e era considerado bom pai de família!

Em 1913, já velho e cansado, pede renúncia ao cargo.

Outro vigário toma posse, o Pe. João Casale.

Tão desastrada foi sua atuação que, poucos meses depois, pedem ao padre Faraco que reassuma.

E, ao padre Casale, dão o prazo de um mês para deixar o país.

(O Pe. João Casale nasceu na Itália; não chegou a ser deportado do Brasil; serviu em outras paróquias, inclusive em Criciúma/SC; morreu em Araranguá/SC)

Mas o velho Raphael vai perdendo as forças.

O Pe. João Antônio Fidalgo fala de seu fim:

“Estive em Garopaba por cinco dias.

Saí daqui no dia 11 e o Vigário faleceu no dia 15 (de março de 1917).

Deitou-se bom de saúde no dia 9 e no dia 10, de manhã, foram dar com ele na cama, sem fala, sem sentidos e sem movimentos.

Durante os seis dias a inconsciência foi completa.

Nada mais pude fazer do que executar fielmente o Ritual.

Ele havia se confessado a mim, há pouco tempo.

A sua vida, presentemente, era de um homem que conheceu o seu erro e vive emendado”.

Pedira o velho Raphael que o enterrasse, na porta da igreja, para que todos pisassem sobre o seu túmulo. Penitência tardia. Que não pôde cumprir.

Sepultaram-no ao lado da matriz.

Em 1977, seus restos mortais foram levados para o interior da igreja, assinalados pela placa de mármore do túmulo original, assim gravada:

“Aqui jazem os restos mortaes do Pe. Raphael Faraco, nascido em Acqua Fredda – Itália, em 30/11/1832 e falecido em 15/03/1917.
Orae por elle”.

No casarão ficou Arminda, conhecida pelos netos como Dindinha
 

Espalhados por vários lugares ficaram seus filhos.....

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Fontes:
- Besen, José Artulino: “São Joaquim de Garopaba — Recordações da Freguesia, 1980”; Gráfica Mercúrio/SC
- Lembranças da nora Jocelina (Noca) e das netas Maria das Dores (Dodô) e Isabel (Belinha)
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Atualizado em 24/03/2010

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